quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O pote...

Besteirnhas que a gente ouve ou lê:



- Quem nunca abriu a geladeira e viu um pote de sorvete e quando abriu era feijão, não sabe o que é decepção.

(Essa tava no face da jornalista Lucianna Araújo, não resisti)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O 'mata-mata'


Hoje à noite fui assistir a um jogo de futsal que segundo o meu filho era muito importante por se tratar de um ‘mata-mata’. Os jogadores tinham entre dez e doze anos.
O que posso dizer pra resumir é que um dos goleiros, depois de comemorar dez gols do seu time relaxou tanto que levou um. Placar 13x1. Justo.
Mas o que chamou a atenção não foi o disparate do marcador ou mesmo a inabilidade do time adversário. Foi a postura do treinador.
Início de jogo: o treinador numa gritaria frenética que incomodava mesmo a quem estava do outro lado da quadra. Pensei: coitado desses meninos! mal entraram em campo e... tome pressão. Muito exagerado aquilo.
Até o terceiro gol, mais ou menos, o treinador reagia, gritava com os meninos, levantava do banco, interagia. Mas lá pelo quarto ou quinto gol nem parecia que a equipe tinha alguém no comando. A visão a partir da arquibancada era a pior possível. Meninos patinando em quadra, outros na reserva de cabeça baixa e um treinador estático no banco. Nem sinal de vida...
Caso aqueles meninos quisessem deixar a quadra antes mesmo do fim do jogo, estariam plenamente justificados, mas não o fizeram. Talvez pq tenham aprendido que o espírito esportivo não deve estar condicionado ao placar.
 E repensei: Do segundo tempo em diante como aqueles meninos precisaram de um grito à beira da quadra... Arrisco até a dizer que aquele foi o verdadeiro ‘mata, mata’ daquele time.
Ufa... o juiz apitou. Fim de partida. Providencial até para o placar não sair da casa das dezenas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

www.odeioentrevistadeemprego.com.br





“Não leve a vida tão a sério e as coisas acontecem”. Várias pessoas já me deram esse mesmo conselho e  eu como uma boa ouvinte, ignorei-o solenemente.
Mas hoje, colocando as novidades em dia com uma amiga 'que vive a vida adoidado' o conselho me pareceu um tanto sensato. Ela me veio com o atual dilema de sua vida. De viagem marcada para relaxar por uma semana – já que está desempregada há um mês - recebeu a má notícia de que precisa abrir mão da diversão caso queira trabalhar numa empresa onde ela vai ganhar quase o dobro do que ganhava no emprego anterior, entre outras vantagens.
Pásmem! Ela vai viajar.
Não sei qual a mágica, mas desde que nos conhecemos há pelo menos dez anos, ela é assim: se abusa de um emprego e sai, depois logo à frente tem um melhor esperando. Não dá nem tempo daquela cena: currículo de porta em porta. E mesmo que desse, certamente não o faria. Ela diz odiar entrevista de emprego e eu concordo. Só que odiamos por motivos bem diferentes.
E quando a gente conversa sobre isso... ela zomba de mim.
Desempregada, decidi que iria abrir uma agência de limpeza. Antes disso quis me qualificar.
Uni (ou tentei) o útil ao agradável.
Passei uma manhã inteira escolhendo uma roupa e a postura apropriada para a ocasião.
Lá estava eu num auditório lotado para uma entrevista. A vaga: camareira de um hotel (HOTEL, viu gente!) de luxo. Acho que me preocupei demais em projetar uma imagem adequada à vaga...
Pra encurtar a história, aguardo o retorno dessa entrevista até hoje.
Muito tempo depois, passada a fase doméstica, candidato-me a vaga de uma multinacional. Currículo selecionado. Entrevista marcada. Informações sobre a empresa na ponta da língua para impressionar o recrutador.
No dia D, vestida a caráter, penso que me antecipar ao horário de chegada em pelo menos uma hora poderia render alguns pontinhos mais.
Às 15h chego e cumprimento minhas concorrentes (tinham pelo menos três) e aguardo.
Já eram 17h. Uma hora após aquela reservada à minha entrevista.
- Por favor, gostaria de saber se há uma previsão para a minha entrevista (não havia mais nenhuma candidata).
- Como é o seu nome?
- Flávia
- De que? Ah! Flávia sua entrevista era às 16h...
- Pois é. Estou aqui desde as 15h.
- Um momento.
- Ah! Sua entrevista era mesmo às 16h, só que de ontem.

sábado, 15 de outubro de 2011

Os bastidores de um incêndio

Meio-dia. Sob o sol escaldante em pleno sábado. O cenário pedia praia, mas água mesmo só da mangueira do Corpo de Bombeiros que tentava controlar o fogo, na Rua do Arame, no bairro Clima Bom (?), em Maceió.

Atrasada, tive que contar com um vizinho que por sorte acompanhou tudo de perto e contou com detalhes.

"Teve vítima sim, o dono da casa, mas só teve porque ele foi teimoso. Eu e meu menino vimos o fogo e fomos logo tirar o Bel de dentro de casa. Achamos que ele estava dormindo porque ele não saiu de lá assim que o fogo se espalhou. Quando chegamos lá tive foi raiva: ele tava agarrado com um colchão e tentando sair de dentro do quarto com ele. Empurramos o colchão e tiramos seu Bel à força de casa. Ele ainda foi queimado no braço. Tudo por teimosia" disse seu Zé Armando.

E lá vem eu: - Seu Zé, o senhor acha que poderia ter dinheiro no colchão já que ele se arriscou tanto?

Seu Zé Armando pensou... e correu para um bombeiro.

"Vcs podem ir lá dentro olhar se um colchão, encostado na parede do quarto, queimou?"

O LIXO

E de vizinho seu Bel (dono da casa incendiada) está bem. Além de seu Zé Armando - agora preocupado com o colchão - tem a vizinha do outro lado, a Dona Cícera.

- "A senhora sabe como começou o incêndio?"

"Não. Só sei que ele junta um monte de lixo em casa e não é organizado"

"É. A filha dele falou que ele é catador de lixo"

"Catador de lixo? ele não é não. EU É QUE SOU A CATADORA DE LIXO daqui. Ele é que ficou com inveja e começou a juntar um lixo. Ela disse que ele é catador porque é filha e quer se amostrar com o pai pro jornal"

Moral da história:

Dona Cícera e Seu Bel fazem valer aquele ditado, muito comum em placa de caminhão, "Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho!!!!"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

'No Blog dos Outros é Refresco' entre os cinco melhores de AL


Tim-tim !!!
Precisamos compartilhar com vocês a nossa alegria! Acabamos de saber que nosso blog está entre os cinco melhores na categoria ‘Variedades’ do Prêmio Alagoano de Blogs.
O fato é que somos recém-nascidos nesse universo 'on line' tomado de ideias e textos brilhantes. Logo essa indicação já é para nós o grande prêmio, pois ultrapassamos a nossa tímida pretensão de propiciar minutinhos de leveza à rotina dos que nos acompanham.
Agradecemos por estarem aqui com a gente e por vezes serem a matéria-prima desse trabalho que é feito com muito carinho e por pura diversão.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ATA-ME

Quando fomos almoçar, ontem, não imaginávamos que aquele seria um momento importante na vida do Daniel.

Entre uma garfada e outra o celular toca.

Ele atende e solta um sonoro: O QUEEEEEEEEE??????????????????????????

Eu tento ser discreta, mas como não é muito o meu forte.... não consigo.

Pergunto o que aconteceu. (Imaginei alguém da família dele passando mal ou mesmo que tivesse falecido).

Ele permanecia atônito.

- Daniel... insisti.                 Vc está bem?

(E levo um fora)

- Claro que não estou bem.

Depois de uns segundos de silêncio - que pareceram uma eternidade - Daniel retoma a conversa.

- Flávia... você teria coragem de pedir alguém em casamento?

Moderna (como não sou) digo que sim, pq não?

E Daniel explica: - Minha namorada de cinco meses acaba de me dizer (pelo cel) que está comprando nossas alianças em companhia de uma amiga. Nunca falamos de noivado ou casamento. Como pode?

Logo eu me apresso em esclarecer as coisas.

- Daniel, vc não está sendo pedido em casamento. Vc está recebendo uma ordem e acho bom obedecer!!!!

E ele lembra:

- "Ah... Foi por isso que ela me perguntou se eu já tinha casado antes e eu caí na besteira de dizer a verdade. Ainda enchi minha boca pra dizer: PODE IR DE IGREJA EM IGREJA, CARTÓRIO EM CARTÓRIO E VAI COMPROVAR QUE TENHO 'NOME LIMPO'  !!!!"

Ela foi.

Daniel é (ou era) solteiro, tem 30 anos e quatro pensões para pagar.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ganhar na mega-sena e continuar no buraco

'Ganhar pouco, mas se divertir' é o que consola grande parte dos assalariados desse país e no caso do Sandro, não é diferente.
Foi aguardando um enterro que conheci esta figura...


O falecido demorou um pouco pra chegar então aproveitei para bater um papo com ele, o coveiro. A satisfação enquanto tirava terra daquele buraco era de impressionar. Sorriso no rosto e muita disposição.
Puxei uma conversa...
Boa tarde! É aqui que vai ser enterrado o fulano de tal?
Sim, senhora.
Tá demorando um pouco não é? Daqui a pouco escurece e o enterro... nada
Se preocupe não moça. Os compromissos que ele tinha já não tem mais. E  depois ele não tem mesmo motivo pra ter pressa, né?
É verdade...
Mas e o senhor, não tem pressa?
Tenho não. Sabe qual é a minha preocupação agora ? É que joguei na mega-sena e estou com medo de ganhar.
Medo?
Sim. Medo porque adoro esse cemitério e se ganhar vou ser obrigado a deixar os meus defuntos!!!!
Ah! Se preocupa não... com o  dinheiro vc vai poder comprar esse e outros e ainda passar o resto da vida dentro de um ‘cemitério para chamar de seu’.
Eita... foi Deus que te colocou no meu caminho. Agora, com essa luz que vc me deu, estou mais tranquilo. Não ia dormir hoje, acredita?
Acreditei!!!!



E foi nesse tom de brincadeira que o coveiro Sandro explicou seu gosto pelo ofício. Ele trabalha no cemitério São José, em Maceió, há 17 anos e nesse período disse já ter visto e ouvido de tudo.
Só naquele dia ele já tinha enterrado 15 e o próximo seria aquele que eu aguardava com certa expectativa porque o falecido tinha duas mulheres e elas estariam lá. E eu não quis perder, mas essa é uma outra história.
Confusões fúnebres
Ah! Confusão em enterro é o que mais tem. Dia desses eu estava já dentro do buraco. Aquele chororô. E eu lá trabalhando. De repente chegou um rapaz que era um dos filhos do morto, veio pra cima de mim tomou a pá da minha mão e largou na cara do outro irmão. Foi um alvoroço da peste. Fiquei com medo de sobrar até uma pazada pra mim. Não ficou um pé de gente.  Depois eu ouvi dizer que já era briga por herança e que o irmão tinha pego o dinheiro pra enterrar o pai no parque das Flores e o irmão descobriu que ele estava sendo enterrado aqui no São José. Acho que o coitado que trouxe o defunto pra cá tava querendo economizar. Foi assim que eu entendi.  
Excesso de viúvas
Já fiz um enterro que duas viúvas se agarraram no caixão dizendo que queriam ir junto. Aquele era amado mesmo. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Outra vez teve um caso que as mulheres foram até organizadas. Uma família passou um tempo aqui na beirada (do buraco) e depois saiu e veio a outra para ver o caixão descer.
E pensei: óia que mundo que tá moderno!!!
Contei esse caso para a minha esposa, pra ver o que ela achava da ideia.
Sou casado, muito bem casado, três filhos da minha mulher e alguns aí pelo mundo (mas ela nem sonha).
Pensando bem... acho que meu enterro vai ser um ‘furdunço’ porque tem mulher que já espera chifre do marido, mas a minha... nunca dormi um dia fora de casa nesses anos todos.
É capaz de dizerem e ela não acreditar. Eu confio em Deus que vai ser assim.
Fomos interrompidos. O ‘meu ‘defunto finalmente chegou.






P.S: Pelo acordo ortográfico mega-sena passa a ser escrito: Megassena
Fotos: Sandro Lima